domingo, 27 de junho de 2010

Despedidas

"A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham sido e sempre serão. Talvez nós tenhamos vivido mil vidas antes desta e em cada uma delas nós nos encontramos. E talvez a cada vez tenhamos sido forçados a nos separar pelos mesmos motivos. Isso significa que este adeus é ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio do que virá."
In Diário da Nossa Paixão de Nicholas Sparks
Ontem eu descobri como é a dor de ter que despedir de alguém que não partiu, de alguém que continua vivo, mas que nunca mais virá... ainda não tive coragem para pensar como será de agora em diante, como será o meu amanhã.... A única certeza que tenho, que mais uma vez vou ter que ser forte. É sempre assim, eu tenho que ser a mais forte da história, quando na verdade o que eu só quero é colo, abraços, silêncios, troca de confidências, ser frágil de vez enquanto.
Ontem eu queria gritar, falar "não quero que vc vá"...fiz o contrário, apoie vc.
Fica aqui a frase que falei no final "um dia iremos nos reencontrar".
P.S.: "E quando as almas estão ligadas...mais profunda é a dor que se sente..."

[Essa é uma crônica de Rubem Braga, e foi extraída do livro A Traição das Elegantes. Para as minhas despedidas, e para as despedidas alheias que eu acompanhei de longe ao longo dessa semana... ]
E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.
Bjs no ♥ (*_*)
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4 comentários:

Mari disse...

Oi Ju, minha estrelinha linda!
Tudo bem contigo?
Tô achando você muito sumida!

Ah meu anjo...não existe nada pior do que a despedida, principalmente quando nos despedimos sem nos despedir...
Vou escrever a respeito.

Boa semana amoreca!
Beijos

ValériaC disse...

Ju querida...lindo texto...
Isso acontece na vida de todos nós...e sempre deixa suas marcas, sua lição difícil, porém necessária, de que às vezes, temos que aceitar o inevitável...

Doce semana pra ti amiga!
Beijo
Valéria

Cris Li disse...

Despedidas... mas doem profundamente quando as pessoas deixam memórias e marcas maravilhosas em nós, não é mesmo?! Ficam as memórias boas!

robrobinho disse...

eu tô cansado de ouvir os mesmos consolos: "isso é necessário", "isso faz crescer", "depois você verá como foi o melhor a ser feito" e etc.
a gente sempre sabe dessas coisas. mas nunca pára de doer - pelo menos não tão cedo.
pelo menos é bom saber que não sou o único que sofre com com essas despedidas: sou normal. ou pelo menos um maluco bem acompanhado!

muito bom o texto, gostei!